Há quase 16 anos o CBTIJ - Centro Brasileiro de Teatro para a Infância e Juventude foi criado por profissionais da área de teatro para crianças e jovens, com a finalidade de propor ações e políticas de públicas e de acesso ao teatro, unir artistas, defender a profissionalização dos artistas entre outros objetivos.
Mas o que realizamos, na verdade, nestes últimos dez anos? Conto apenas os últimos dez, pois nos primeiros cinco anos, os principais esforços foram o de conseguir associados; ter uma sede e conseguir mantê-la; fazer muitos projetos e obter dos profissionais da área e de instituições públicas e privadas o reconhecimento da entidade. Mais que o reconhecimento, o crédito pelo trabalho que estávamos realizando.
Nestes quinze anos, muitas associações, redes, entidades foram criadas e assim como chegaram, acabaram.
Mas o que faz uma entidade crescer e se fortalecer? Hoje o CBTIJ é nacionalmente reconhecido, com associados em todo o Brasil. É claro que no Rio de Janeiro, onde fica nossa sede, o CBTIJ está mais fortalecido. Criamos projetos, que embora sejam realizados no Estado do Rio, espetáculos de vários estados (RS, MG, DF, SP, etc)
já participaram. Estamos na 11ª Mostra SESC CBTIJ de Teatros para Crianças, com mais de 350 espetáculos apresentados e um público estimado em mais de 400 mil espectadores e na 5ª edição do Boca de Cena - Teatro para Jovens, ambos projetos realizados em parceria com o SESC Rio. Também realizamos uma parceria com o SESI realizando o Circuito SESI CBTIJ de Teatro Infantil, já em seu segundo ano.
Desde o ano passado, o CBTIJ é Ponto de Cultura, oferecendo oficinas em São João do Meriti e realiza periodicamente em sua sede encontros e reuniões com seus associados para discutir questões pertinentes ao teatro para crianças e jovens. Outra ação em que participaram profissionais de todo o país foi a Oficina de Temas Tabus, realizada em parceria com a ASSETIJ Internacional e a Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Para dar visibilidade a nossa área de atuação, desde 2001, o CBTIJ comemora todos os anos, o Dia Mundial do Teatro para a Infância e Juventude (20 de Março), com a criação de um cartaz, que é distribuído através de nossos associados e amigos, por todo Brasil a teatros, fundações, entidades, escolas, bibliotecas, etc. Desde 2008, comemoramos também o Dia Nacional do Teatro para a Infância e Juventude, uma realização do CBTIJ, que conquistou no Congresso Nacional, a oficialização da data, através da Lei 11.722.
Mas voltando a questão: o que faz uma entidade crescer e se fortalecer? Realmente é difícil de responder. Muito trabalho? É claro que sem trabalho não se chega a lugar nenhum. Mas não é apenas com trabalho que se consegue estabelecer as condições necessárias para uma entidade funcionar. Credibilidade? Sim, acredito que nestes quinze anos o CBTIJ é uma entidade que tem credibilidade. Somos uma entidade democrática. Todos podem se associar. Como em qualquer associação, desde que se pague a anuidade, siga o estatuto, regimento interno e vote, todos podem se associar. Somos uma entidade democrática. Há cada dois anos temos eleições. Elegemos o Conselho de Administração com dezesseis profissionais, que se reúnem regularmente todos os meses, para discutir e traçar metas e resolver problemas.
Certamente, um saldo muito bom para a entidade, apesar das dificuldades, pois nem tudo é positivo. Nem sempre nossas reivindicações são ouvidas e atendidas nas esferas federais, estaduais e municipais. A cada eleição, é sempre uma surpresa que nos aguarda. Na esfera política, em relação às políticas culturais ao teatro para criança e jovem, é sempre um passo à frente, dois atrás. Um sempre retorno ao mesmo lugar. Às vezes, surpresas boas acontecem: um edital em que nossa área não tem que concorrer com os espetáculos adultos, um festival específico para teatro infantil. Mas é raro. Aí entra nosso trabalho sem fim, enviando ofícios ne solicitando explicações, quase nunca respondidas. Mas também acontecem algumas vitórias, como o último edital da Eletrobrás, que até então não patrocinava montagens de espetáculos infantis.
Mas o que aconteceu com o teatro para criança nesses últimos anos? O Brasil é um país muito grande e como todos sabem em cada estado a situação é diferente. Em São Paulo, através das Leis Estadual e Municipal de Fomento, muitos grupos se fortaleceram, conseguiram sede, se estruturaram e têm espetáculos de repertório. No Rio de Janeiro a maior parte dos grupos acabaram. Ficaram alguns núcleos de trabalho permanente, que não é o mesmo que um grupo. Não existem leis de fomento e os editais são totalmente irregulares, embora este ano, as coisas estejam melhorando. No Rio Grande do Sul e em Minas Gerais, muitos grupos são atuantes e algumas leis funcionam. Mas na maior parte do Brasil, só alguns heróis conseguem sobreviver e ter uma continuidade de trabalho em seus grupos.
E a qualidade dos trabalhos? Das produções? Infelizmente, temos muitos artistas, que ainda crêem que fazer teatro para crianças é algo fácil, sem preparo e que criança aceita qualquer bobagem. Se isso acontece no Rio e em São Paulo, imaginem no resto do país. Muitos profissionais gostam de se espelhar no que é sucesso na TV, para reproduzir o mesmo no palco, achando que isso é teatro. Ou então aquela maneira tão peculiar de representar para crianças, fazendo muitas caretas, correndo de um lado para o outro e fazendo aquelas vozes caricatas.
Mas se ainda temos esse tipo de montagem, por outro lado, tenho visto cada vez mais profissionais que se preocupam com o texto, com a encenação, com a produção, dando às crianças o que elas merecem.
Aliás, levar um bom espetáculo às crianças não deveria de ser um privilegio e sim um direito. Teatro não é apenas um entretenimento, como pensam muitos ainda.